Tereza Cristina cobra celeridade na escolha do novo ministro do Itamaraty

08/11/2018 - 12h58

Segundo a futura ministra da Agricultura de Bolsonaro, os dois ministérios precisam atuar juntos em defesa dos produtores

A futura ministra da Agricultura, deputada Tereza Cristina (DEM), presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), cobrou celeridade na escolha do ministro que irá comandar as Relações Exteriores. Segundo ela, os dois ministérios precisam atuar juntos em defesa dos produtores. Ela explicou que está esperando uma conversa com o presidente eleito para "entender a posicao que o governo vai tomar" em relação ao agronegócio, mas ressaltou que o convite ainda não foi feito. "O ministério é estruturado, tenho algumas ideias, mas não quero adiantar nada. Agora eu preciso assentar a poeira e ter calma", declarou.

No entanto, a futura ocupante do posto, deixou a entender o conteúdo que espera discutir com Bolsonaro. "O que os produtores esperam é segurança jurídica, defesa da propriedade e um ministério da agricultura ainda mais moderno", disse.

Outro tema que também pretende levar no futuro encontro é o da relação comercial brasileira com os países do Oriente Médio. Declarações recentes do presidente eleito e a pretensão de mudar o local da embaixada Palestina gerou desconforto nos governos da região. "Os exportadores estão preocupados, em especial os produtores de carne, por isso, é muito importante que a agricultura e o Itamaraty andem juntos para resolver problemas externos", explicou Tereza Cristina.

Meio Ambiente

Tereza Cristina (DEM-MS) falou também sobre o perfil do futuro ministro do Meio Ambiente que, segundo ela, terá que adotar uma postura semelhante à do presidente eleito, que se diz contra a "indústria da multa" e favorável a acabar com o "viés ideológico". A meta é que o ministro do Meio Ambiente seja "altamente técnico". "Não só eu, como todos os produtores brasileiros esperam isso", disse Tereza. O perfil será discutido entre a equipe de transição do governo e a hipótese de a deputada participar da escolha do ambientalista não está descartada. "Se for chamada para opinar estarei junta. Já converso com o pessoal que trata do meio ambiente, ouvindo o que pensam", destacou.

O momento, ressalta Tereza, é de ouvir muito para montar uma linha de trabalho e o que se quer para as pastas. A própria montagem do ministério da Agricultura e o perfil a ser adotado está em debate. "Ainda estou discutindo com algumas pessoas. Acho que temos pontos muito importantes (a discutir), principalmente a parte de comércio exterior, os convênios e acordos bilaterais que temos que ter", declarou.

O comércio de carnes é um dos temas que ela sugeriu que terá um cuidado especial. Ressaltou que é importante para o país e há problemas a serem enfrentados, como embargos de nações à importação de algumas carnes brasileiras. "Temos alguns problemas acontecendo, outros melhorando. Tivemos a abertura da Rússia para carnes suínas. Ainda é tudo novo para mim, apesar de conhecer o setor", analisou.

A futura ministra também não sinalizou se manterá os atuais secretários da pasta. "Não tenho nada ainda pré-concebido. Já estou olhando como funciona o ministério, quais as secretarias, formando opinião. Ao longo de dois meses a gente vai compor o que será o novo ministério", explicou. A pasta, garante, não se privará de entrar em debates polêmicos, como os agrotóxicos.

De acordo com Tereza, o tema terá "muito espaço de debate" no Ministério. Ela defendeu a aprovação do projeto de lei que flexibiliza a Lei dos Agrotóxicos destacando que dá opção ao produtor brasileiro usar as mesmas moléculas usadas no exterior. "Através de agilidade, transparência e governança. No projeto não se fala nada mais além disso e não tira poder de ninguém", afirmou.

 

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