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terça-feira, abril 23, 2024

Registro da candidatura foi o último ato de peça teatral montada por Lula

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16/08/2018 – 10h37

Agora é o ocaso, começando com a fase de transição para o registro da candidatura Haddad

Às 17h23 de ontem, ocorreu o ato final da peça protagonizada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia mais de quatro meses, quando o juiz Sérgio Moro determinou a prisão do petista. A última encenação foi acompanhada por uma plateia de 10 mil integrantes de movimentos sociais na frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A partir de agora, até os mais otimistas integrantes do Partido dos Trabalhadores — comandado por Lula, da cadeia, em Curitiba — sabem que o simbolismo do registro da candidatura será substituído pelo ocaso e pela pressão de notícias como a própria impugnação do nome dele para a disputa ao Planalto. Ontem mesmo, três questionamentos à candidatura chegaram à corte. Um deles vindo da procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Antes, às 17h23, iniciou-se a transição para a campanha do ex-prefeito Fernando Haddad, gestada em segredo de polichinelo desde 5 de abril, quando o ex-presidente se instalou no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo (SP), antes de ser preso e mandado para a capital paranaense. Tal fase, a da transição de candidatura, acaba com a impugnação do nome de Lula na corrida ao Planalto — pelo menos é a expectativa de parte do PT, incluindo aí o próprio Haddad e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, que um dia defendeu a aliança com Ciro Gomes (PDT), mas fechou com o ex-prefeito de São Paulo convencido pelo próprio Lula.

A impugnação da candidatura de Lula pode ocorrer a qualquer momento. A declaração da presidente do TSE, Rosa Weber, na última terça-feira, alerta para prazos, mas a tendência é de rapidez. Os petistas que defendem a troca imediata de Lula por Haddad acreditam que esse processo pode ocorrer até a próxima quarta-feira, um prazo de uma semana, entre o registro e o indeferimento. Com o “selo” da impugnação, o petista teria o discurso de que não o deixaram concorrer, abrindo espaço para Haddad e efetivando, na vaga de vice, Manuela D’Ávila (PCdoB), que ontem — com o ex-prefeito e a ex-presidente Dilma Rousseff — participaram do registro do nome de Lula como candidato.

Atraso

A transição das candidaturas, entretanto, pode se prolongar, caso uma corrente minoritária — mas que tem entre os integrantes a presidente do PT, Gleisi Hoffmann — consiga algum fôlego, principalmente ancorada no receio de uma dificuldade de transferência imediata de votos de Lula para Haddad. Os advogados do partido avisaram que, neste caso, conseguem empurrar a guerra jurídica até meados de setembro. E só lá frente, daqui a um mês, a fase da transição estaria fechada. “O nosso candidato é o Lula, não vamos abrir mão, até porque lutaremos na Justiça”, disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que também participou do evento no TSE. A estratégia, entretanto, é vista como arriscada, pois deixa Haddad fora de debates e da propaganda de TV como candidato oficial. Isso sem contar com o próprio desgaste de Lula no papel de vítima. Pesquisas internas do PT mostram pequena perda de fôlego nos últimos dias, num quadro que se mantém inalterado desde novembro do ano passado.

Depois do registro da candidatura de Lula, no 5º andar do TSE, Haddad gravou cenas de campanha no térreo do prédio, em que se apresenta como o vice de Lula. O ex-prefeito tem treinado para mudar o vocabulário acadêmico e o sotaque paulistano. As imagens de ontem mostram Haddad abraçado com manifestantes. Desde que deixou a prefeitura de São Paulo, em 2016, o petista perdeu seguidores nas redes sociais, e a primeira tarefa do pessoal de campanha será recuperar o espaço na internet. Hoje, Haddad é o nome dos petistas ao Planalto. Daqui a 15 dias começa o programa eleitoral no rádio e na televisão. Resta saber se o candidato se apresentará como tal até lá.

Interrogatórios mudam de data

A data do interrogatório do ex-presidente Lula e de outros 12 réus na ação do sítio de Atibaia foi alterada pelo juiz federal Sérgio Moro. O magistrado decidiu pela mudança para “evitar a exploração eleitoral dos interrogatórios”. As audiências estavam marcadas para ocorrerem entre 27 de agosto e 11 de setembro. Agora, eles devem ser entre 5 e 14 de novembro. A defesa do ex-presidente reclamou. “Um processo criminal jamais poderia ter seus atos orientados pelo calendário eleitoral.
A mudança dos depoimentos, porém, mostra que a questão eleitoral sempre esteve e está presente nas ações contra o ex-presidente Lula que tramitam em Curitiba”, diz nota assinada pelo advogado Cristiano Zanin Martins.(Leonardo Cavalcanti/Correio Braziliense)

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