Haddad fecha campanha na periferia de São Paulo

27/10/2018 - 07h36

Petista tenta associar violência a adversário e pede para que apoiares participem de ato de campanha vestidos de branco

Fernando Haddad em comício no Capão Redondo, em São Paulo Foto: Ricardo Stuckert / Divulgação Fernando Haddad em comício no Capão Redondo, em São Paulo Foto: Ricardo Stuckert / Divulgação

Criticado por de ter perdido sua conexão com a periferia, o PT encerra hoje a campanha presidencial com uma caminhada do candidato Fernando Haddad na maior favela de São Paulo, a Heliópolis. Lá, retomará o discurso da virada, mote que tem usado nos últimos dias, quando as pesquisas sinalizaram diminuição da vantagem, ainda significativa, de Jair Bolsonaro (PSL).

Os organizadores do evento de hoje pediram para que as pessoas se vistam de branco. Ao final da caminhada, sob a bandeira da paz, será realizado um ato ecumênico. Uma das estratégias adotadas pela campanha petista neste segundo turno é tentar vincular Bolsonaro à violência. Na cerimônia, devem ser feitos discursos em favor dos direitos humanos, do respeito a minorias e também contra a discriminação.

Haddad negou ter programado a ida ao Heliópolis em resposta à fala de Mano Brown no ato de artistas em apoio à sua candidatura, realizado na noite da última terça-feira, no Rio de Janeiro. Foi o artista que cobrou mais conexão do PT com os pobres. O candidato afirmou que o encerramento da campanha no local já estava marcado anteriormente.

A presença de Haddad na favela do Heliópolis também ajuda a vincular o candidato aos eleitores mais pobres. Na semana passada, depois que o partido se deu conta de que não conseguiria montar uma frente democrática contra Bolsonaro, o partido decidiu que a chance de reverter a vantagem do adversário estava na busca do eleitor historicamente ligado ao ex-presidente Lula.

Como parte dessa estratégia, o petista anunciou no último domingo que, se eleito, aumentará em 20% o valor do Bolsa Família e vai tabelar em R$ 49 o preço máximo para o botijão de gás.

Atenção ao Nordeste

Ontem, o presidenciável petista vistou dois estados do Nordeste: Paraíba e Bahia. É na região que ele possui os melhores índices de intenção de votos, de acordo com as pesquisas. Levantamento do Datafolha divulgado na última quinta-feira mostra o petista com 56%, contra 30% de Bolsonaro no Nordeste.

—Está tendo uma grande reviravolta nessa eleição —, afirmou Haddad, em Salvador, antes de subir no carro em que percorreu a região do Farol da Barra.

—Começou na verdade por São Paulo, minha cidade, cidade que eu governei. Isso está acontecendo em todas as capitais e tenho certeza que vamos chegar à vitória no domingo —, disse o petista, chamando Bolsonaro de "atraso", "frouxo" e "mentiroso".

A expectativa da campanha do PT de formação de uma frente democrática ruíram depois que Cid Gomes (PDT-CE), irmão de Ciro Gomes e senador eleitor, cobrou, no último dia 15, em ato em favor de Haddad em Fortaleza, um pedido de desculpas do PT pelas "besteiras que fizeram" e disse que que o partido "criou" Bolsonaro.

Depois do episódio, Cid gravou um vídeo de apoio a Haddad, mas não compareceu nas atividades de campanha que o candidato do PT fez no Ceará no sábado da semana passada. Seu irmão, Ciro, candidato derrotado do PDT à Presidência, viajou para a Europa na semana seguinte ao primeiro turno e só voltaria ao Brasil na noite de ontem.

Os petistas ainda alimentam a esperança que ele faça uma declaração direta de voto em Haddad, mesmo que seja pelas redes socais. A intenção inicial era ter o pedetista com papel ativo na coordenação de campanha.

Tortura e violência

Ontem, no último programa no horário eleitoral, Haddad apresentou novamente ataques ligando Bolsonaro à tortura e a violência. Em metade da propaganda, mandou um recado para o eleitor que "está angustiado com o futuro do país".

— Sei que que você está descontente com tudo o que está acontecendo no Brasil, e por isso quer mudança. Você quer um governo que não corte direitos, como o Temer vem fazendo. Quer comida na mesa e salário justo (...) Você sabe que, há pouco tempo, nós fizemos um governo assim. E esse tempo bom ainda está no coração e na memória dos brasileiros — ressaltou o petista, que agradeceu a Deus, à família e ao povo que aderiu à mensagem de esperança da campanha.

A propaganda de Haddad destaca que Bolsonaro defende a ditadura e a tortura. A campanha afirma que esses atos não são algo que um cristão faria. Os petistas mostram relatos de vítimas de torturadores e dizem ainda que o adversário "é representante dos milionários", não do povo.(O Globo)

 

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